Este post no blog pode ser um dos mais importantes que escreverei.
Vamos juntos interpretar a imagem que representa os dois caminhos diante de uma experiência dolorosa. A dor é uma ferramenta do corpo para nos alertar sobre algum dano potencial ou real.

A Subjetividade da Dor
Antes de tudo, é crucial compreender que a experiência dolorosa é subjetiva e pessoal. Cada pessoa vive de maneiras diferentes, baseando-se em experiências passadas, hábitos de vida, capacidades físicas e contexto social. A dor é um sinal vital indicando que algo não está bem. Imagine se não pudéssemos sentir dor; pisar acidentalmente em um caco de vidro poderia resultar em sérias complicações em alguns minutos ou horas. A dor surge quando há um dano potencial ou real.
Exemplos Práticos da Dor e Reações do Corpo
No exemplo do caco de vidro, o corpo reage à lesão, gerando dor para sinalizar o dano causado ao pé (rompimento de pele, fáscia, músculo, etc.). Em outros casos, o corpo percebe um dano potencial, como o excesso de tensão muscular no pescoço ou lombar, respondendo com dor para alertar sobre o problema (excesso de tensão, mal funcionamento).
Um exemplo adicional de dano potencial seria quando travamos a coluna ou estamos com torcicolo. Não necessariamente houve rompimento de tecidos ou deslocamento de estruturas. O corpo ativou um mecanismo de defesa para proteger contra um mau funcionamento, gerando dor e travamento. Não é porque dói que existe uma lesão no tecido. Com esse entendimento, vamos interpretar a imagem e seus diferentes caminhos, pensando em dores na coluna.
Caminhos Diante da Dor
O caminho da direita da imagem representa experiências dolorosas enfrentadas com uma perspectiva positiva: além da dor, permanecemos ativos, buscamos tratamento e informações profissionais, confiamos no corpo com a esperança de que logo estaremos bem novamente. Quando isso ocorre, tendemos a evoluir positivamente. O lado positivo é que “fica registrado na memória”, e quando acontecer novamente, estaremos cientes de que é possível enfrentar a situação.

Por outro lado, o caminho da esquerda da imagem representa um cenário desfavorável diante da dor. Normalmente, pessoas que apresentam crenças como “minha coluna é frágil” ou “algo saiu do lugar”, entre outros pensamentos, ou mesmo informações externas de conhecidos, tendem a catastrofizar a experiência dolorosa, entendendo que o que aconteceu é uma ameaça perigosa. Isso as leva a permanecer em repouso absoluto, resultando em medo de se movimentar, com cuidado excessivo para evitar experimentar dor novamente.

A curto prazo, isso pode ser benéfico, pois realmente irá proteger, mas a longo prazo, esses comportamentos e pensamentos, mantidos por você ou reforçados pela sociedade e até mesmo por profissionais desinformados, criam um ciclo perigoso e avançam para a hipervigilância.
A Armadilha da Hipervigilância
A hipervigilância consiste em estar 100% atento a tudo que se sente no corpo, gerando medo e evitando movimentar-se para não sentir dor. Esse comportamento sustentado, infelizmente, faz pensar que é o correto, mas será mesmo correto ter medo de se movimentar? Podemos considerar até mesmo um hábito, uma repetição de comportamento, mas, a longo prazo, é prejudicial.
Malefícios do Ciclo e Desafios Mentais e Sociais
Acreditando nessa falsa verdade, começam os malefícios desse comportamento, pois entramos no desuso, deixando de realizar certos movimentos, exercícios ou atividades, pois acreditamos que causarão dor novamente. Isso causa complicações físicas, mentais e sociais.
E como pode ser visto na imagem, isso se torna um ciclo que se retroalimenta, aumentando o uso de medicamentos, inatividade física levando ao sedentarismo, desuso, mais dores e mais incapacidade, prejudicando a disposição para atividades diárias ou sociais.
Quebre este Ciclo!
Esse ciclo se fortalece a cada experiência dolorosa que reforçamos este comportamento disfuncional. Contextos de estresse e ansiedade podem aumentar e reforçar ainda mais esse ciclo, prejudicando a longo prazo.
Este assunto não trata apenas da questão física, mas envolve aspectos mentais e sociais. Se não for esclarecido, as pessoas que sentem dor acabam experimentando maior ansiedade, fragilizando o corpo e comprometendo a qualidade de vida.
Eu, como fisioterapeuta, trabalho para quebrar esse ciclo, proporcionando aos meus pacientes o retorno às atividades físicas, a liberdade dos movimentos e uma maior qualidade de vida e bem-estar físico e mental. Procure ajuda e quebre este ciclo!
